É do senso comum que as dificuldades económicas dos clubes de futebol em Portugal geram maiores contingências ao nível da gestão. Uma das fugas para a frente que os clubes foram implementando ao longo das ultimas duas décadas, e cada vez com maior fulgor, baseou-se na renegociação dos direitos televisivos e antecipação de parte ou, nalguns casos total, da receita.
Uma vez terem-se tornado habituais, estas medidas tiveram o dom de estrangular a gestão futura do próprio clube porquanto não foram tomadas por razões estratégicas de fundo, mas sim para combater passivos crescentes e descontrolados. Descontrolo que se foi acentuando com estas antecipações de receitas!
Daí se perceber facilmente o poder de determinadas empresas no negócio Futebol.
A calendarização rigorosa dos jogos do campeonato não é mais feita por uma entidade “desportiva”. Não nos iludamos com a organização do calendário efectuada todos os anos pela Liga.
O papel da Liga é, hoje, apenas o de sortear a ordem dos jogos e assim delinear o calendário de transmissões da SportTv.Em todos os anos assim se verifica!
A Liga sorteia e a SportTv decide! Decide quais os jogos que serão à sexta-feira, ao sábado à tarde ou noite, ao domingo ou à segunda-feira. Na eventualidade de existirem feriados durante a semana, quem sabe também à terça-feira?!
Os clubes, complacentes e altamente dependentes, permitem-no, à custa do sacrifício dos inúmeros adeptos do desporto. A teoria da “defesa” destas medidas será fundamentada na vertente da receita, por via da transmissão dos jogos, e na fidelização / lealdade dos adeptos.
É absolutamente impensável que algum sportinguista consiga viajar todos os fins-de-semana, ou quinzenalmente, de Braga, Chaves, Faro, Vila Real ou Viseu a Lisboa para assistir a um jogo do seu clube num domingo às 20h45. A verdade, muitas vezes esquecida, é que o vulgar adepto trabalha (imagine-se!) 5 a seis dias por semana e, por regra, a segunda-feira é um desses dias de trabalho. E nem vou falar no impacto no orçamento familiar que tais viagens acarretam, por tão óbvio ser!
Sou, portanto, frontalmente contra a proliferação dos mais absurdos horários para a realização de jogos oficiais a que vimos assistindo em Portugal nos últimos anos.
Transmiti pessoalmente ao Dr. Soares Franco, ainda antes das eleições, que tivesse a iniciativa de lançar o Sporting para a liderança do desporto em Portugal e que trabalhasse no sentido de mudar este estado de coisas. Afinal de contas, desde o início do projecto Roquette que oiço dizer “somos diferentes”. Pois que façam valer tal slogan, de facto! E por razões válidas!
Sugeri-lhe que fizesse uma experiência. Sugeri-lhe que num dos próximos jogos, com uma equipa dita pequena, experimentasse marcar o jogo para um Domingo ao 12h no Estádio José Alvalade, com o beneplácito da SporTtv evidentemente, dado existirem contratos a respeitar.
Por respeito e consideração por todos aqueles que são tão ou mais sportinguistas do que aqueles que vivem em Lisboa e arredores! Sobretudo por esse sector da família sportinguista.
Será sempre preferível ir ver um jogo do Sporting a um Domingo ao 12h do que no mesmo dia às 21h. E a verdade é que, hoje!, não existem dados concretos a evidenciar que um jogo em Portugal num Domingo ao 12h possa ser menos rentável e ter menos assistência que um jogo num Domingo às 21h.
Pessoalmente, não tenho duvidas que os núcleos se mobilizariam nesses dias para fazer a excursão até Lisboa, quem sabe até aproveitando para dar um passeio pela cidade.
Naturalmente que estou a pressupor que os núcleos do clube são para revitalizar...
O actual presidente do Sporting ficou de pensar nessa estratégia. Cá estarei a aguardar!
Entretanto voltei a ver a luz do dia em Alvalade. Confesso que tinha saudades! Foi o primeiro jogo em Alvalade à tarde (sem contar com os ridículos horários para jogos da taça – 4ª feira às 15h) e foi bonito sentir que
Alvalade tem condições para se tornar num autêntico “inferno” (para os adversários)
num belo dia de sol, conforme se vislumbrou no último jogo do campeonato. E com belíssimas assistências!
Assim existam mais oportunidades.